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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A ciência explica o aborrecente

A moçada briga, chuta a porta,
bate boca com os pais e grita sem motivo?
Tudo bem. A culpa é do cérebro deles,
que ainda está em fase de formação

 

       Sempre se pensou que a culpa era do vulcão de hormônios colocado em ebulição pelo processo de crescimento. Ou da angústia existencial própria de uma época de transição. Há agora uma nova explicação: o que se passa na cabeça dos adolescentes é, por assim dizer, conseqüência do que se passa na cabeça deles. A garotada nem se ajustou direito às mudanças causadas em seu corpo pela puberdade e o cérebro também começa a mudar. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que ao chegar à adolescência o cérebro já estivesse completamente formado. 
         Pesquisas recentes revelam que, ao contrário, nessa fase se inicia um processo de rearranjo dos neurônios tão intenso como aquele que aconteceu nos primeiros anos da infância. As áreas onde ocorrem as maiores transformações são justamente aquelas ligadas às emoções, ao discernimento e ao autocontrole. Essa é uma boa explicação científica para o comportamento tão impulsivo e temperamental dos teens. "Algumas áreas da estrutura cerebral só vão estar inteiramente maduras depois dos 20 anos", diz o psiquiatra Fábio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro.




Região Parietal

Responsável pela atenção e noção de espaço


Atinge a maturidade aos 16 anos




Região Frontal

Responsável pelo autocontrole, pela capacidade de discernimento e pelo humor

Atinge a maturidade aos 20 anos

         Durante a adolescência, dois fenômenos acontecem no cérebro. Assim como nos bebês de 1 ano e meio, pipocam novas conexões entre os neurônios (as sinapses). Algumas áreas passam por grandes mudanças estruturais. A mais significativa acontece nos lobos frontais, área responsável pelo autocontrole e pelo senso de organização e de planejamento. Lá ocorre uma espécie de faxina nas sinapses feitas entre os neurônios durante toda a infância.    
      No decorrer do processo, a região dá uma encolhida, num fenômeno conhecido entre os especialistas como "poda". "É como se o cérebro sentisse, por volta da puberdade, que as velhas conexões são inúteis e que há necessidade de abrir espaço para outras, muito mais importantes, a ser feitas na idade adulta", explica o psiquiatra Jorge Alberto da Costa e Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Outras partes do cérebro estão a mil. Uma delas é o sistema límbico, centro de processamento das emoções, como a raiva, que trabalha de forma exuberante. No adulto, essa área funciona de forma mais comedida.




Sistema Límbico

Responsável pelas emoções, como a raiva

Atinge a maturidade aos 20 anos



Região Temporal

Responsável pela memória


Atinge a maturidade aos 16 anos


          A imaturidade de certas áreas talvez explique por que as regiões do cérebro usadas pelos adolescentes são diferentes das utilizadas pelos adultos para as mesmas tarefas. Não se conhece muito bem o mecanismo, mas estudos mostram que os jovens podem interpretar certas coisas diversamente dos adultos – uma expressão facial de medo pode ser confundida com escárnio, por exemplo. 
       Na adolescência, o cérebro desenvolve a capacidade de planejar, organizar, controlar as emoções, entender os outros, fazer julgamentos e até decifrar a lógica matemática. A parte boa é que a cabeça está completamente aberta a novos conhecimentos. Quem tirar proveito disso terá um cérebro mais esperto quando for adulto.


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